Saiba quais são os países onde as pessoas mais praticam atividades físicas

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Brasil, Estados Unidos e México foram apontados como os países em que as pessoas realizam menos atividade física.

No mundo, as pessoas estão cada vez mais informadas e orientadas em relação a importância da prática de atividades físicas para a sua saúde, sejam elas realizadas na forma de um treinamento estruturado, um esporte, ou até mesmo em seus deslocamentos, em seu trabalho, ou até mesmo em seus momentos de lazer, indo passear e brincar com o cachorro, por exemplo. Apesar de toda esta informação disponível de forma bastante acessível sobre a importância de sermos ativos, nossa população ainda apresenta níveis alarmantes de sedentarismo. Pesquisas vem mostrando níveis de sedentarismo alarmantes em nosso país.

Ainda que existam alguns problemas metodológicos em diversos estudos sobre sedentarismo no Brasil e no Mundo, os dados acabam sempre nos fazendo refletir sobre a importância da prática regular de atividade física e sua relação com alguns índices de satisfação geral com a vida, de percepção de bem-estar e qualidade de vida, maiores níveis gerais de percepção de saúde física e mental, entre tantos outros aspectos. Um estudo da Universidade de Stanford (USA), citado em reportagem do jornal espanhol El País do dia 14/07/2017, em seu portal na internet, aponta que entre as nações ocidentais, o Brasil, juntamente com os Estados Unidos e México, são os países em que as pessoas realizam menos atividade física.

Embora a pesquisa anterior tenha limitações, como apontado no final da matéria do jornal, os dados encontrados nos trazem certa preocupação, ainda mais ao observarmos que outros estudos apontam para esta mesma direção. Em sua pesquisa referente aos anos de 2010 a 2014, o Ministério do Esporte encontrou que 45,9% da população brasileira era considerada sedentária. Já em 2017, em uma matéria no site do próprio Ministério, indicava que por volta de 62% da população é sedentária.

Não creio que os dados do governo reflitam um rápido aumento do sedentarismo no Brasil, mas sim por diferenças de metodologia de pesquisa e um possível discreto aumento, bem abaixo de 16% em 4 anos, como sugerem os dados. Embora sejam todos dados retirados do próprio site do Ministério do Esporte, as pesquisas utilizaram metodologias diferentes. Ainda assim, os dados são alarmantes, uma vez que o sedentarismo é um fator de risco bastante importante em diversos males e doenças, como o diabetes, hipertensão, problemas cardíacos, entre outros tantos. Nem mesmo todos estes perigos parecem ser capazes de sensibilizar a população brasileira. Mas, porque será?

O Diagnóstico do Esporte, do estudo do Ministério do Esporte, que aponta que as mulheres apresentaram taxas maiores de sedentarismo, assim como os mais idosos, perguntou aos sedentários se eles sabiam dos riscos de uma vida sedentária. Mais de 80% dos entrevistados respondeu que SIM. Sim, sabiam dos riscos, possivelmente conheciam os benefícios do exercício, e ainda assim não praticavam o mínimo recomendado. Podemos descartar a desinformação como a principal barreira para a prática de atividade física.

Nos restam outras opções, como a falta de estrutura, a distância da residência e trabalho aos locais disponíveis para a prática, o custo, entre outros, que possivelmente serão tratados em artigos futuros uma vez que foge do escopo deste texto.  No entanto, como sempre venho ressaltando nos textos, creio que o fator educação dentro da cultura do nosso povo acaba por resultar neste comportamento sedentário do brasileiro. O mundo está cada vez mais em torno de máquinas, como TVs, celulares e computadores e muito menos em torno de amigos, parentes, vizinhos, colegas e outras pessoas.

Onde fica a atividade física na escola, se os alunos são estimulados a ficarem sentados, sem muitos movimentos, com exceção de algumas raras aulas de educação física, muitas vezes esportiva demais e pouco criativa e estimulante. Até mesmo a educação física vive sendo questionada, quanto ao seu valor na escola, e suas cargas horárias que deveriam aumentar com o passar dos anos escolares, acaba por diminuir ou até mesmo zerar, em alguns casos, onde atestados médicos dispensam a prática nas aulas. Smouter et al (2017) concluíram que na adolescência, entre os 12 e 14 anos os comportamentos sedentários estavam mais presentes, indicando esta faixa etária para realizarem intervenções e estimular a vida ativa, justamente uma faixa etária em que vemos cada vez menos estímulos ao estilo de vida ativo.

Os estudos indicam para uma relação entre o sedentarismo e os níveis socioeconômicos, onde os menos favorecidos acabam apresentando índices maiores de sedentarismo (PALMA, 2000; ALENCAR, et. al. 2010), de forma que relações simples e diretas parecem não fazerem sentido, precisamos mais uma vez nos apoiarmos nas teorias dos sistemas, e ecológicas, para entendermos os resultados da variação de qualquer variável. Mesmo estudos demonstrando os efeitos da atividade física sobre doenças crônicas incidentes (Barreto et. al., 2017) demonstraram a relação direta entre a atividade física e a redução na incidência de doenças crônicas.

Segundo a pesquisa de Stanford, as nações onde as pessoas mais se exercitam são China, Japão e Rússia. Ao que me parece, ao menos segundo esta pesquisa, o fator climático, como o frio intenso, por exemplo, teve pouco impacto neste fenômeno, cedendo espaço para possíveis fatores culturais, bastante diferentes da cultura brasileira.

Referências

ALENCAR, N. A. et. al. NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA, AUTONOMIA FUNCIONAL E QUALIDADE DE VIDA EM IDOSAS ATIVAS E SEDENTÁRIAS. Fisioterapia e Movimento, 23(3):473-81, 2010

SMOUTER, L et al. O tempo de atividade sedentária em adolescentes de diferentes faixas etárias. Arquivos de Ciências da Saúde, [S.l.], v. 24, n. 1, p. 65-69, mar. 2017. ISSN 2318-3691. Disponível em: <http://www.cienciasdasaude.famerp.br/index.php/racs/article/view/540>. Acesso em: 20 jan. 2018. doi:https://doi.org/10.17696/2318-3691.24.1.2017.540.

http://www.esporte.gov.br/diesporte/

BARRETO, P. S., CESARI, M., ANDRIEU, S., VELLAS, B., ROLLAND, Y. Physical activity and incident chronic diseases: a longitudinal observational study in 16 European countries. American journal of preventive medicine, 52(3), 373-378, 2017.

Carlos Drigoé Profissional de Educação Física e Psicólogo. Especialista em Psicologia do Esporte, Futebol e Treinamento Esportivo. Mestrando em Desenvolvimento Humano e Tecnologias e membro do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte (LEPESPE) na UNESP / Rio Claro.

Flávio Rebustinié Pós-Doutor pela UNESP/Rio Claro e Pós-Doutor pela UQTR (Canada). Membro do LEPESPE – Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte/UNESP-RIO CLARO. Coordenador da Especialização em Psicologia do Esporte da Universidade Estácio de Sá. E-mail: frebustini@uol.com.br

Artigo extraído do Portal Educação Física