Música e atividades físicas – A relação entre os estímulos sonoros e a prática esportiva

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A atividade física é o movimento do corpo em determinado ritmo e intensidade, durante um período de tempo. Movimento, ritmo, intensidade e tempo são os elementos constituintes de qualquer estrutura sonora ou musical. Portanto, torna-se natural a relação entre música e atividades físicas.

Diversos estudos científicos comprovam o poder da música de instigar sentimentos e sensações comuns a públicos de realidades distintas.

A capacidade do som de transmitir e provocar estímulos diversos, mobilizar sistemas cerebrais e gerar respostas emocionais específicas, de acordo com suas características e qualidades musicais, tais como a tonalidade, intensidade e ritmo, fazem com que a música seja considerada a linguagem universal dos sentimentos.

No início do século passado, Mario de Andrade já ressaltava em seus estudos a força penetrante da música, o seu poder dinamogênico. A capacidade do som de incentivar o movimento e de se relacionar a um estado de corpo e espírito específicos.

São indiscutíveis os poderes dos estímulos musicais, sua capacidade de alteração de ânimo e seu poder terapêutico. O som pode provocar excitação ou relaxamento, influenciar diretamente no ritmo físico e psicológico dos seres humanos e ser utilizado para a redução dos níveis de stress, ansiedade e depressão. Existem evidências cientificas comprovadas de que as taxas de respiração e níveis de oxigênio de atletas podem ser alteradas de acordo com os estímulos musicais aos quais são submetidos.

A criação de um ambiente sonoro propício a prática esportiva, adequado ao ritmo e as exigências do treinamento, pode auxiliar de maneira consistente a proporcionar aos atletas uma imersão de leveza psicológica e um poder de abstração do esforço e da fadiga.

O doping musical

É comum observar atletas profissionais, antes das provas de competição, com fones de ouvido, escutando musicas de sua preferência, com a intenção de criar um ambiente psicológico de foco e concentração.

Nas Olimpíadas de Pequim, as imagens de Michael Phelps se aquecendo, a beira da piscina, com fones de ouvido, ficaram na história do esporte e geraram uma discussão de até que ponto o ritmo do Rap americano influenciou no desempenho do nadador recordista de medalhas olímpicas.

O velocista jamaicano Usain Bolt também costuma se aquecer ao som de suas músicas preferidas, em busca de concentração e redução dos níveis de ansiedade e tensão que geralmente precedem as provas.

As principais maratonas do mundo vetam o uso de i-pods ou qualquer outro tocador de mp3, durante as provas, justamente pelo caráter de estímulo positivo da música, que aumenta a resistência psicológica dos corredores submetidos a um nível extremo de fadiga física e mental, nas provas de longa duração. Um efeito similar dos gerados por substâncias dopantes.

Trilhas sonoras para a prática esportiva

O conceito de trilha corresponde a um caminho a ser percorrido, uma indicação de rumo a seguir.

As trilhas sonoras nada mais são do que caminhos rítmicos e emocionais a serem percorridos pelos ouvidos dos espectadores. Criam um ambiente sonoro capaz de transmitir idéias e sensações adequadas às intenções criativas, cenários musicais de pulsões emocionais utilizados para facilitar a conexão da mensagem com seu público.

Adaptar o conceito de trilhas sonoras ao ambiente da prática de atividades físicas é usufruir do poder ritualístico e coesivo da música, gerando um vínculo direto com o ambiente de intimidade subjetiva de cada praticante.

O exercício cifrado em células de energia rítmica psicológica se torna mais agradável e espontâneo. Os estímulos sonoros em compassos sincronizados com os ritmos naturais da circulação sangüínea e da respiração podem preencher o hiato entre o ambiente físico e a mente do atleta e transformar a atividade física cotidiana em uma experiência ampliada, com um vínculo emotivo entre o imaginário subjetivo e a rotina de treinamento.

Oferecer diretamente no ouvido de cada atleta as marcações de tempo e intensidade, em um ritmo adequado, determinará de maneira definitiva uma mudança radical no paradigma dos treinamentos esportivos.

Artigo extraído do site Portal da Educação Física